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Crise de Responsabilidade 24/setembro/2010

Posted by rapidoerasteiro in Gestão, Internet.
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Nesta semana, durante a aula que estava ministrando na Estácio para o curso de Administração, levantei a seguinte discussão com os alunos: as funções da Administração são Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar; dessas funções, qual é a que tido tem maior prioridade hoje? Após um pouco de hesitação, veio a resposta: Controlar.

Então levantei a pergunta final: mas por que os gestores precisam ocupar a maior parte do seu tempo hoje com Controle? Aí as respostas vieram rapidamente, a maior parte delas relacionada a problemas na qualidade final de produtos ou de serviços desenvolvidos pelas pessoas nas empresas e demais organizações.

Durante o debate também conseguimos concluir então por que pessoais com o perfil Empreendedor hoje são as mais valorizadas no mercado de trabalho. E o motivo está ligado a uma das principais características deste perfil: o comprometimento com os resultados. Então, se você é um Gestor que tem empreendedores na sua equipe, certamente poderá exercer muito menos Controle sobre o trabalho dessas pessoas, investindo o seu tempo em outras tarefas que agreguem mais valor ao negócio como um todo. E tudo isto porque a própria equipe trabalhará para que o seu trabalho traga os resultados prometidos, pois todos estão comprometidos com isto.

Hoje li alguns textos que me fizeram evoluir um pouco este pensamento. A primeiro foi um post no Blog Mente Hacker, falando sobre uma “rebelião” que ocorreu em uma empresa que bloqueou o acesso a mídias sociais como o Orkut e o Twitter. O bloqueio foi realizado porque a produtividade das pessoas estava caindo e uma das principais causas seria o tempo gasto nesses sites.

Neste caso especificamente, acho que erraram os Gestores e principalmente os Funcionários. A simples atitude de bloquear o acesso a esses sites sem aviso prévio demonstrou um autoritarismo que poderia realmente gerar reações mais radicais (ação x reação); além disso, o tempo gasto com mídias sociais pode ser apenas um sintoma de algo mais grave, que esteja gerando esta disfunção na empresa. Então bloquear o acesso não resolve o problema central, só vai priorá-lo. E erraram muito mais os Funcionários, que passaram de qualquer limite, esquecendo que assinaram um contrato com a empresa estabelecendo as condições relativas ao trabalho que devem desenvolver. Falta total de Responsabilidade e de Comprometimento.

Indicando que as pessoas parecem estar gastando mais tempo do que deviam com as mídias sociais no horário de trabalho, também li algumas críticas engraçadas (algumas muito sinceras, inclusive) que foram postadas no Twitter por pessoas nos EUA, a partir dos problemas técnicos que o Facebook enfrentou ontem (copio as que achei melhores):

  • “Últimas notícias: Facebook está fora do ar. Produtividade no trabalho aumenta. Estados Unidos saem da recessão.”
  • “Enquanto o Facebook não funciona, milhões de Power Points sobre a primavera estão sendo criados.”
  • “Os usuários do Facebook estão em lágrimas, vagando pelas ruas, empurrando fotos nas caras das pessoas e gritando: Você curte? Você curte?”

Em seguida li no Blog Weblogia uma reflexão sobre o “piti” do jogador Neymar em campo, inclusive lembrando de um episódio anterior quando outro jogador do Santos (junto com Neymar) fez infelizes declarações via twitcam, dizendo que “gastava mais com seus cachorros do que as pessoas ganhavam de salários“. Neste post vemos que a chamada “Geração Y” parece estar fora de sintonia com as exigências do mundo real, o que vale tanto para (sub)celebridades quanto para as demais pessoas. Tudo bem que um pouco de irresponsabilidade faz parte dessa fase, mas o pessoal anda passando dos limites, o que certamente se refletirá mais adiante como falta de Responsabilidade de Comprometimento. Também sou obrigado a dizer que percebo isso em alguns dos meus alunos, que às vezes percebem esse desvio um pouco tarde demais.

Dá para ir “longe” com este assunto, mas fica fácil enxergar que há algo muito errado nisso tudo. Me parece que estamos vivendo uma época onde o Comprometimento e a Responsabilidade das pessoas está em crise, principalmente em relação ao cumprimento do seus Contratos, inclusive o de Trabalho. Aliás, vale dizer que muita gente lê as palavras “responsabilidade” e “comprometimento” pensando que um ambiente de trabalho com essas condições deva ser sério, formal e chato. Muito pelo contrário, acho que quando existem esses valores, o ambiente de trabalho tende a ser algo leve e descontraído, o que não elimina o fato de todos termos que trabalhar visando resultados positivos.

Sou um otimista e um liberal por natureza, o que me faz procurar profissionais nos quais eu possa delegar e confiar com tranquilidade. Porém, nos últimos tempos, confesso que estou sendo obrigado a gastar muito mais tempo do que gostaria com tarefas de Controle, porque sem isso realmente os resultados esperados não estão vindo. E me parece que não sou só eu que estou com este dilema.

Tudo bem, nem todo mundo é obrigado a ter perfil Empreendedor, mas é necessário que tenhamos todos um mínimo de proatividade e comprometimento com resultados. Sem isso, os profissionais podem cair em duas armadilhas principais:

  • Apatia: agindo como meros “peões”, esperando as “ordens” dos “chefes”, praticamente terceirizando a tarefa de “pensar” para os superiores.
  • Arrogância/egoísmo: agindo como se o trabalho na empresa fosse um mero passatempo, não ligando muito para os superiores e demais colegas.

Posso ter sido um pouco extremista, mas certamente notaremos traços de uma das armadilhas acima (ou de ambas) em profissionais pouco produtivos. Mas independentemente do caso e das causas, o fato é que vemos uma total falta de Responsabilidade em boa parte dos profissionais que estão no mercado. E o pior é que muitos deles (e delas) devem estar inclusive terceirizando a culpa disso, outra “moda” do momento (já escrevi sobre isto aqui neste Blog).

A boa notícia é que, para aquelas pessoas que são Responsáveis e Comprometidas, o mercado tem oferecido cada vez mais oportunidades. E isso vale tanto para quem quer trabalhar “para os outros” quanto para quem quer empreender o seu próprio negócio.

Por fim, encerro este post com um vídeo do antigo programa “Sem Censura” da TV Cultura, mostrando algumas reflexões do consultor Waldez Ludwig. Apesar das opiniões um pouco radicais (na minha opinião), vale a pena assistir e refletir um pouco sobre o “choque de realidade” que ele traz na entrevista:

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