jump to navigation

Vamos profissionalizar a Administração Pública? 30/abril/2010

Posted by rapidoerasteiro in Gestão.
Tags: , , , ,
trackback

É bom quando há alunos que dinamizam as aulas, perguntando, criticando e comentando, o aprendizado realmente fica muito mais facilitado. Nesta semana, na aula de Sistemas de Informação Gerencial que ministrei para a turma do curso de Administração da Estácio, abordamos vários assuntos “fora do roteiro”, mas mesmo assim é bacana porque acabamos relacionando o “feijão com arroz” com a realidade, enriquecendo muito mais o conteúdo.

Estávamos falando sobre os vários tipo de Sistemas de Informação existentes (ERP, CRM, e-commerce, etc.) sempre fazendo um paralelo entre a iniciativa privada e a iniciativa pública. Os comentários giravam sobre possíveis motivos para tamanho atraso da Administração Pública perante a iniciativa Privada.

Bem, há alguns dias atrás eu já expressei parte da minha opinião sobre o assunto no post “O lento Estado x A ágil Sociedade“. Em suma, acho que o maior mal da nossa Administração Pública é o “Fisiologismo” que, de acordo com a Wikipedia, “é um tipo de relação de poder político em que as ações políticas e decisões são tomadas em troca de favores“. Ou seja, quando um partido político apóia outro em troca de cargos públicos (um Ministério, ou uma Secretaria, por exemplo), algo muito comum nos nossos Governos, temos o típico exemplo disso.

Agora, qual seria a importância para os partidos políticos em terem um Ministério sob seu comando? É aí que vem a resposta: para colocar os companheiros de partido nos famosos “cargos de confiança”, também chamados de “cargos comissionados”. A nossa realidade absurda está retratada com clareza no artigo “Cargos De Confiança No Brasil”:

Segundo o IBGE, são 5564 municípios no Brasil. De 2005 para 2006 aumentou de 380.629 cargos de confiança para 422.821. E, se mantida a criação de 42 mil cargos por ano, somente nas Prefeituras, o total de comissionados já passou de meio milhão. Incluídos os cargos de confiança das esferas mais altas do Executivo, mais legislativo e do Judiciário, o total supera 700 mil.

Bem, com mais de 700 mil cargos para distribuir entre os amigos, fica fácil ver porque os partidos políticos gostam tanto dessa “brincadeira”, até porque muitos desses amigos devolvem parte dos seus salários para o próprio partido que os indicou, na forma de “dízimo” ou outras contribuições.

Vejamos o que diz Cláudio Abramo, Diretor da Transparência Brasil:

Os EUA têm uma estrutura pública muito maior que a brasileira e possui somente 9.051 cargos de confiança, já na Alemanha e na França, são aproximadamente 500. Na Inglaterra há cerca de 300.

Nisso tudo, o profissionalismo ficou definitivamente perdido. Além do excesso de cargos de confiança (em alguns casos são mais de metade de todos os cargos públicos!), o critério de ocupação não é nada técnico. Também fica fácil perceber os motivos de tamanho desânimo por parte dos funcionários públicos concursados. Ou seja, receita fácil para ineficiência, paralisia, ineficária, nepotismo, isso sem falar da corrupção pura e simples.

Mas voltando à aula na Estácio, declarei o seguinte: “O CANDIDATO QUE TIVER COMO PROPOSTA A REDUÇÃO QUASE TOTAL DOS CARGOS COMISSIONADOS GANHA O MEU VOTO NA HORA!“. Na mesma hora alguns já rebateram: pois é, a idéia é boa, mas o difícil vai ser encontrar algum candidato que faça a proposta… Pois é, o desânimo é grande, mas eu procuro não me abater, tento fazer a minha parte.

E você, o que acha?

Anúncios

Comentários»

No comments yet — be the first.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: