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O lento Estado x A ágil Sociedade 15/abril/2010

Posted by rapidoerasteiro in Gestão.
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Assistindo ao Jornal da Globo de ontem (link aqui), confesso que não fiquei muito surpreso em saber que a maior parte dos novos aeroportos brasileiros já estão saturados. Se esses já estão lotados, imaginem então o aeroporto de Florianópolis, a chamada “Capital Turística do Mercosul” e também única Capital Estadual do Brasil que não recebeu um aeroporto novo.

Este é um filme muito visto por nós. Para “variar”, obras fundamentais de infraestrutura executadas pelos nossos Governos sempre chegam atrasadas. Aeroportos, Estradas, Portos, Hospitais, Presídios, Escolas, etc,  só são ampliados ou têm novas unidades construídas quando a situação está prá lá de insustentável. A causa é relativamente fácil de identificar: o Estado Brasileiro é muito lento! Agora, por que? Bem, aí temos alguns motivos, mas a meu ver, temos duas pragas principais, que precisam ser exterminadas o quanto antes.

Primeira praga: o excesso de cargos de confiança nas organizações governamentais, os famosos “comissionados”. Vamos imaginar uma empresa privada que troca quase todos os diretores, gerentes e supervisores a cada 4 anos. Todos os projetos em andamento são cancelados ou sensivelmente alterados, e os novos diretores/gerentes/supervisores não são contratados por critérios técnicos, mas por afinidade política. Será que esta empresa sobreviveria ao mercado? A resposta certamente será um sonoro NÃO, realmente não conseguiria sobreviver.
Infelizmente, o nosso Estado, principalmente nos poderes Executivo e Legislativo, funciona desta maneira. Além da constante troca de comando a cada 4 ou 8 anos, os “comandantes” normalmente não têm a competência necessária e também não são “prata da casa”. Ou seja, receita fácil para frustrar os funcionários públicos concursados (queda de moral e produtividade), comprometendo a execução de iniciativas estratégicas (visando o longo prazo) e a própria qualidade do trabalho do dia-a-dia.
Concordo que os Gestores do alto escalão precisam ter outros gestores que concordem com seus projetos, mas por que não promover os próprios funcionários de cada instituição para os respectivos cargos de confiança? Isto poderia gerar uma competitividade interna saudável entre os próprios funcionários, além de facilitar as passagens de bastão durante as mudanças.

Segunda praga: estabilidade no emprego. Sei que até posso ser condenado por esta opinião, mas estamos em um país livre. Concordo que, considerando a praga nº 1 que listei acima, a única forma de evitar que todos os demais cargos sejam trocados a cada eleição é realmente garantir a estabilidade dos funcionários públicos.
O problema é que as pessoas hoje estão buscando o funcionalismo público principalmente pela “estabilidade”. Trocando em miúdos, a maior parte das pessoas está procurando a carreira pública não por vocação para bem servir a sociedade, mas para ter um bom salário e trabalhar pouco (sem a competitividade do mercado privado).
Porém, para ser mais ágil e atender às necessidades da Sociedade, o Estado precisa acompanhar as melhores práticas. Concordo que, dada a realidade/instabilidade política, não dá para “liberar geral” simplesmente retirando a estabilidade, mas seria importante estabelecer metas de produtividade e monitorar o desempenho dos funcionários públicos, para filtrar aquelas pessoas que estiverem abaixo do desempenho esperado por “x” vezes seguidas.

Sei que não é nada fácil mudar a situação atual, mas os Administradores Públicos precisam pensar em mudanças o quanto antes, pensando não apenas nas boas práticas, mas na própria sobrevivência e competitividade dos seus Municípios, Estados, e do próprio Brasil. Se engana quem pensa que o Governo não tem concorrência, pois todos concorrem entre si e com outros países para captar empresas, recursos, turistas, etc. E quem oferecer maior segurança para os investidores e turistas irá “conquistar esses clientes”.

Enfim, admito que o assunto é por demais extenso, mas a mudança é premente. Temos uma década de ouro, com Copa do Mundo e Olimpíadas e, se não iniciarmos a mudança já, podemos perder esse bonde da História. E tudo isso depende de nós, elegendo e principalmente fiscalizando os Administradores Públicos.

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Comentários»

1. Vamos profissionalizar a Administração Pública? « Blog Rápido e Rasteiro - 2/maio/2010

[…] há alguns dias atrás eu já expressei parte da minha opinião sobre o assunto no post “O lento Estado x A ágil Sociedade“. Em suma, acho que o maior mal da nossa Administração Pública é o […]


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