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Pesquisa aponta que quase ninguém quer ser professor 1/fevereiro/2010

Posted by rapidoerasteiro in Diversos, Gestão.
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Há certos círculos viciosos complicados de serem quebrados, e quando ouvi hoje pela manhã o Gilberto Dimenstein falando na CBN de uma pesquisa que mostrava a baixa atratividade da carreira docente, fiquei realmente preocupado.

Atualmente, na chamada “Era do Conhecimento”, é cada vez mais importante que os países invistam de forma maciça em Educação, pois a competitividade já há algum tempo está em escala Global. Mesmo uma micro empresa de “fundo de quintal” hoje concorre com produtos importados de várias partes do mundo, o que significa que a concorrência chegou para todos, sem exceção.

Considerando que também há uma percepção geral de que o Ensino nas escolhas Brasileiras está muito longe do ideal e que os investimentos no setor da Educação estão muito abaixo do necessário, o que se comprova quando os números reais são analisados, temos uma situação realmente alarmante. E tudo fica mais complicado quando se vê informações como as que foram coletadas na pesquisa realizada pela Fundação Victor Civita com o título “Atratividade da carreira docente do Brasil”, que  entrevistou 1.501 alunos, de 3º ano, de 18 escolas públicas e privadas do país. Vamos às principais informações divulgadas pela pesquisa:

  • Somente 2% dos alunos do Ensino Médio têm a pedagogia ou alguma licenciatura como opção principal no vestibular.
  • Um terço dos jovens entrevistados (32%) pensou em ser professor, mas desistiu.
  • As principais razões para a baixa atratividade da carreira docente no Brasil são: profissão é desvalorizada socialmente, é mal-remunerada e a rotina é muito desgastante.
  • A maioria dos futuros professores estão entre os alunos com piores notas no Ensino Médio.

Eu costumo dizer que a Ditadura Militar fez muito bem a sua lição de casa porque conseguiu praticamente destruir a estrutura educacional do país, já que para sustentar um governo ditatorial é fundamental ter “massa de manobra” – uma sociedade pouco esclarecida que trará menores riscos para a manutenção do regime. E o alvo foi bem escolhido: a educação básica. Para os que questionam esta minha afirmação, basta ver dois pontos principais: comparem a qualidade do ensino nas escolas públicas que existiam antes da ditadura militar (perguntem para seus pais/avós como era antes, e vejam como está agora); verifiquem que um dos maiores alvos de repressão pelo regime militar eram os estudantes que tinham esclarecimento e que por isso mesmo protestavam contra os absurdos que estavam sendo cometidos.

Enfim, o fato é que depois de 20 anos de repressão à Educação, juntamente com outros fatores (crises econômicas, de valores, etc.), tornaram o sistema educacional brasileiro uma “quase” sucata, tornando a nossa sociedade apática e inerte, com pouca noção de cidadania. Prova disso é a baixa qualidade do Voto do brasileiro, e a mania de reclamarmos muito e fazermos pouco para mudarmos a situação atual. E com essa situação, com um Governo pouco competente e preocupado apenas na próxima eleição, muito pouco acaba sendo feito pela Educação, que exige ações visando resultados no longo prazo. Dessa forma, as ações feitas para recuperar o nosso sistema de ensino estão lentas demais e/ou não trazem os resultados necessários, o que cria um verdadeiro círculo vicioso perigoso:

  1. A carreira Docente é pouco atrativa (baixos salários, condições ruins de trabalho, pouco respeito, etc.)
  2. Poucos escolhem a carreira Docente por vocação, a maioria escolhe a carreira por falta de outra opção
  3. A maior parte dos professores acaba sendo composta por profissionais com baixa qualificação e pouca motivação
  4. Escolas e professores não conseguem atrair a atenção dos alunos, que perdem o interesse em estudar e perdem o respeito pela instituição e seus profissionais
  5. Dentre os poucos estudantes que conseguem terminar os estudos, a maioria escolhe profissões consideradas mais “atrativas”
  6. voltamos ao item 1

Esta é a infeliz realidade do ensino básico, fundamental e médio no Brasil, comprovada também pelas distorções nos investimentos públicos feitos em Educação formal no país, que tem muitos recursos para o topo (Universidades), mas pouco na base (Escolas) em relação à necessidade atual, o que cria uma situação interessante: aqui as famílias precisam investir em educação privada para que os filhos possam ter condições de competir por uma vaga em Universidades Públicas, exatamente o contrário da tendência mundial, que é ter um bom ensino público que permita fazer uma boa poupança para financiar os estudos em Universidades Particulares.

Vejam que não estou dizendo que o Estado deve privatizar as Universidades, mas creio que o nosso modelo precisa ser revisto com urgência, principalmente colocando mais recursos em todos os níveis de ensino, principalmente na base. E “recursos” não significam apenas dinheiro: também são Políticas, Processos, Equipamentos, Capacitação, que precisam ser direcionados para que todos tenham acesso ao conhecimento.

Confesso que não tenho uma solução ou fórmula mágica, a não ser a mobilização da Sociedade como um todo, votando conscientemente e, mais do que isso, cobrando ações dos governantes eleitos e demais servidores públicos em todas as esferas. Até porque a questão vai muito mais além do que apenas termos pessoas mais esclarecidas, pois já está mais do que comprovado que para cada Real investido em Educação, se economiza outros milhares de Reais nas áreas da Saúde e Segurança, só para citar um exemplo.

E a dificuldade para que as mudanças efetivamente aconteçam também está relacionada aquelas pessoas que estão no poder, decidem os investimentos públicos, mas não estão muito interessadas em mudar a situação atual, o que cria um dilema: elas sabem que não há outra saída senão investir no sistema educacional, mas isso ao mesmo tempo tende a trazer mudanças futuras que ameaçarão a sua posição atual.

Enfim, a questão é complexa, mas só exige uma solução: investimentos maciços em Educação. E muita paciência para aguardar os resultados.

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Comentários»

1. WALKIMAR GOMES - 12/dezembro/2010

ORESTES QUERCIA QUANDO GOVERNADOR DE SÃO PAULO, REAGINDO À GREVE DOS PROFESSORES, AFIRMOU QUE PROFESSOR QUE QUER GANHAR BOM SALÁRIO DEVE DEIXAR DE SER PROFESSOR E PROCURAR OUTRA PROFISSÃO.
INFELIZMENTE, MAIS DE DUAS DÉCADAS SE PASSARAM E O PROFESSOR CONTINUA SEM A DIGNIDADE BUSCADA.
COMO FAZER UM PAÍS DECENTE SEM EDUCAÇÃO, SEM PROFESSORES, SEM PESSOAL DE APOIO, SEM BOAS FACULDADES.
O PROFESSOR ERA PRA SER O PROFISSIONAL MAIS RESPEITADO NA NAÇÃO.
REVOLUÇÃO PELA EDUCAÇÃO JÁ!

2. Marcelo - 14/março/2011

Concordo com o amigo acima e tem mais…estou em sala de aula como professor a 16 anos, participei das escolas da década de 70 e 80 como aluno. Não tiro o chapéu para o governo militar, mas parece que a situação do professor piorou muito nestes anos e não temos militar no poder e nem resquícios. O que temos é uma corja de políticos despreparados e semi-alfabetizados que tiveram a oportunidade de melhorar a educação e fazem mais massa de manobra que os militares. Tanto que foi divulgado um relatório internacional dizendo que o Brasil atual é uma PSEUDO-DEMOCRACIA. NÃO VENHAM JUSTIFICAR A INCOMPETÊNCIA POLÍTICA DESTA ATUAL CORJA usando os militares que até hoje são perseguidos pelo anterior e atual governo.
OBS: Não gosto de militar. Tive um irmão preso pelo regime militar.Vamos ter bom senso.


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