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Alguém viu o Espírito de Natal por aí? 23/dezembro/2009

Posted by rapidoerasteiro in Diversos.
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Na semana passada li post do blog Balaio do Kotscho, falando do mau humor das pessoas na época de Natal, mais especificamente na cidade de São Paulo. O trecho abaixo resume bem o texto:

É um anti-clima de Natal. O maior desejo de todos com quem tenho me encontrado, de motoristas de táxi a amigos do bar no final de tarde, é que as festas passem logo, que cheguem as férias e possam, enfim, sair da cidade para qualquer outro lugar.

Será que isso está acontecendo também nas outras cidades brasileiras ou esta é uma síndrome pré-Natal típica dos paulistanos? Gostaria que os leitores do Balaio espalhados pelo Brasil afora me ajudassem a esclarecer estas dúvidas. Afinal, mudou o Natal ou mudamos nós?

Pois é, meu caro Kotscho, acho que mudamos todos sim. O ritmo cada vez mais alucinante que temos vivido no nosso dia a dia tem contaminado também o Natal, e não apenas em São Paulo. Aqui em Florianópolis tenho visto praticamente a mesma coisa.

No fim de semana passado fui fazer minhas compras de Natal e estava comentando, enquanto tomava uma água na praça de alimentação: vejam que pessoas “felizes”, “educadas”, vejam quanta “cortesia”, quanto “amor no coração” (claro que com uma boa dose de cinismo e ironia).

Na verdade, estavam todos disputando ferozmente cada vaga de estacionamento (com direito a muito palavrão, buzinadas, e até socos/pontapés em casos mais extremos). Depois de muita briga para estacionar, reparei nas pessoas andando rapidamente de loja em loja, esbarrando sem pedir desculpas, furando filas, … isso sem contar o estresse para pegar a escada rolante. Atitudes como um “muito obrigado”, um sorriso, a calma, a compreensão, dar a vez em uma fila a uma outra pessoa, realmente ficaram cada vez mais raras.

Realmente, a Tradição repetida ano após ano, que nos obriga a executar uma maratona mecânica de compras de presentes em Dezembro, juntamente com o estresse cotidiano, traz uma amnésia total em relação ao motivo original do Natal. E esse é um dos grandes perigos das tradições: as pessoas às seguem por um sentimento de obrigação e porque todos à sua volta fazem o mesmo, sem perguntar o real motivo daquilo.

A maioria das pessoas até sabe que o Natal é uma festa Cristã, que comemora o nascimento de Jesus Cristo. Porém, vejo que poucas pessoas (mesmo aquelas que se dizem seguidoras de alguma religião Cristã) sabem realmente responder por que se comemora tanto essa data. E é neste ponto onde eu gostaria de chegar.

Na minha opinião, mais do que promover uma religião ou uma fé especificamente, nas suas origens o Natal promove (ou tenta promover) a disseminação de Valores, ou seja, hábitos que deveriam ser praticados por todos visando o bem estar individual e coletivo. Sendo assim, a famosa expressão “Espírito de Natal” nada mais é do que o resgate de um Valor principal ligado à célebre (e mal interpretada) frase do primeiro mandamento, considerado inclusive o maior dos 10 mandamentos: “ame ao próximo como a ti mesmo“.

A má interpretação dessa frase vem principalmente da conotação limitada dada à palavra “amor” nos dias de hoje, além de problemas de tradução dos textos originais ao longo dos anos. Na verdade,  “amar ao próximo como a si mesmo” é uma forma de expressar a famosa “Regra de Ouro”, que indica que não devemos fazer para as outras pessoas aquilo que nós não queremos que seja feito para nós mesmos.

E a referência à Regra de Ouro não é algo exclusivo do Cristianismo, ou do Judaísmo. A Wikipedia a define como a “Ética de reciprocidade”, e mostra pelo menos 6 referências diferentes à mesma idéia. O blog Filosofando vai mais além, e mostra 15 referências, desde Confúcio até os indígenas brasileiros, passando também por Jesus Cristo. E há tantas outras fontes que discutem e promovem esta regra. Aliás, outra forma de dizê-la que também é bastante conhecida é “a sua liberdade termina quando começa a liberdade das outras pessoas”.

Portanto, fica também fácil compreender porque o Natal se tornou mais do que uma data Cristã. O Natal se tornou uma comemoração universal, pois Jesus Cristo também promoveu Valores universais, expressos sinteticamente na Regra de Ouro. Ou seja, não importa se você concorda ou discorda da religião Cristã, se você acredita nos melhores Valores humanos, você acredita naquilo que Jesus Cristo pregou.

A grande questão que envolve a Regra de Ouro é que cada pessoa tem a responsabilidade de praticá-la, e é exatamente aí onde reside a maior dificuldade. Estamos em tempos de grande pressão, com consumismo e individualismo em alta. E o egoísmo promovido atualmente é um dos grandes empecilhos para a prática do “amor ao próximo”, pois quando colocamos o nosso EU em um patamar maior de importância em relação às outras pessoas (essa relação deve estar em equilíbrio), caímos na armadilha de fazermos coisas que desrespeitam as outras pessoas e que não gostaríamos que fossem feitas para nós.

Por isso a importância de propagarmos o Espírito de Natal: mais do que realizar a maratona anual de compra de presentes, cada um de nós precisa refletir se as atitudes que tomamos estão ou não ofendendo as pessoas ao nosso redor. Falando (ou escrevendo) parece ser algo fácil de fazer, mas sabemos como é difícil domarmos o nosso “reizinho” interior, individualista e egoísta, ainda mais quando estamos vivendo em uma época em que “tempo para pensar” é artigo de luxo. Mesmo assim, tenho certeza de que vale o esforço. Quem sabe, cultivando e semeando essa semente plantada em todos os Natais, façamos a nossa parte para melhorarmos o mundo, que é de todos nós. Este seria o maior e melhor presente que poderíamos dar.

Um Feliz Natal e todos, e um excelente Ano Novo!

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