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Escreveu, não leu… foi demitida 2/março/2009

Posted by rapidoerasteiro in Gestão, Internet.
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Às vezes eu me surpreendo em relação à forma com a qual algumas empresas estão utilizando a internet. Na “falta do que fazer”, algumas companhias estão monitorando (para não dizer espionando) os perfis de seus funcionários em sites de relacionamento, como Orkut, Facebook, entre outros.

O caso mais recente veio da Inglaterra, noticiado pelo jornal Daily Mail. Kimberely Swann (foto ao lado), com apenas 16 anos, foi demitida da empresa Ivell Marketing & Logistics, em Clacton (Essex), porque declarou entre outras coisas que estava “totally bored” (totalmente entediada) no seu atual (e novo) emprego. A insatisfação da moça veio do fato que ela estava se sentindo subestimada, realizando tarefas que estariam muito abaixo das suas habilidades.

Ocorre que o chefe da moça encontrou esses comentários no Facebook (o que ele estava querendo ao bisbilhotar no perfil da moça, hein?!) e no dia seguinte a chamou para uma “conversa”. Segundo Kimberley, seu chefe disse que leu os seus comentários no Facebook e declarou que não queria que a empresa “estivesse no noticiário”. Detalhe: o nome da empresa nunca foi mencionado nos comentários da moça.

O fato é que ela foi sumariamente demitida, recebendo uma carta com os seguintes dizeres: “Segundo seus comentários feitos no Facebook sobre o seu trabalho e a empresa, nós sentimos que, uma vez que você não está feliz e não se agrada do seu trabalho, seria melhor nós terminarmos a sua contratação com Ivell Marketing & Logistics, com efeito imediato”  (“Following your comments made on Facebook about your job and the company we feel it is better that, as you are not happy and do not enjoy your work, we end your employment with Ivell Marketing & Logistics with immediate effect“).

Creio que ainda há uma questão cultural muito séria a ser compreendida pela maioria das empresas quando se fala de internet e a era do conhecimento. Muitos “chefes” ainda estão aficcionados pela idéia de “controle” dos seus funcionários (ou “peões”?), investindo tempo precioso nisso. O engraçado é que na grande maioria das vezes, empresas que investem muito do seu tempo no controle dos seus funcionários, esquecem de reservar tempo para cuidar dos seus clientes. Além disso, os “controlados” normalmente ficam insatisfeitos, frustrados, etc., o que sempre acaba vazando para o público, com ou sem internet. Ou seja, ao invés de investir em cultura, conscientização e responsabilidade, os chefes acabam colocando todos “em um mesmo balaio”, implantando muitas vezes controles excessivos, que tiram tempo para cuidar dos clientes, o que pode prejudicar duplamente a imagem da empresa no mercado.

Outro ponto é que o excesso de controle e ações excessivas como esta acabam com a liberdade de opinião dentro de uma empresa. Provavelmente, a jovem expressou seu descontentamento porque não tinha quem a ouvisse na empresa, ou porque realmente não havia espaço para isso. E, em tempos de competição acirrada no mercado, sufocar a liberdade e a diversidade de opiniões significa ir enterrando o negócio aos poucos.

Talvez seria mais produtivo e construtivo que o chefe de Kimberley, como tantos outros profissionais na mesma posição em casos semelhantes, chamasse a funcionária insatisfeita para conversar, perguntando o porquê da sua insatisfação. Mas, com certeza, normalmente é muito mais fácil “se livrar do problema” (ou seria um sintoma de um problema maior da empresa?) do que buscar uma solução. E, tenho absoluta certeza, o Sr. Ivell, ex-chefe de Kimberley, não pensou que demitir a moça depois de bisbilhotar o Facebook dela geraria um marketing tão negativo para a sua empresa.

Claro também que profissionais em geral devem ter cuidado ao expressar suas opiniões. Realmente, a escolha do Facebook para um “desabafo” foi bastante infeliz. Mas devido à pouca idade e experiência da jovem, podemos dar um desconto. De qualquer forma, o importante mesmo é que os profissionais em cargos que agregam poder devem ter muito cuidado e critérios sobre a forma com a qual tratam seus subordinados. A comunicação deve ser sempre incentivada, os controles devem ter uma justificativa plausível, e o “poder” deve ser utilizado apenas em última instância. Dessa forma, o “chefe” deixa de ser um opressor e vira um “líder”.

Para Kimberley, mesmo demitida, creio que ganhou os seus “5 minutos de fama”. Se for inteligente, poderá reverter esse revés em benefício próprio.

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Comentários»

1. Débora Dezerto - 3/março/2009

Não entendo de gestão empresarial, mas me parece tão óbvio que seria muito mais produtivo aproveitar a menina. Ela pode ter até feito a crítica por falta do que fazer, adolescente não gosta de nada mesmo… Podiam conversar com ela e até usa-la até como meio de publicidade, positiva desta vez.
Ai.. ainda bem que eu não tenho chefe.

rapidoerasteiro - 3/março/2009

Concordo com você, Débora. E realmente não é preciso nenhum conhecimento de gestão nesse caso. Na verdade, só era necessário um pouco de bom senso, o que faltou muito ao Mr. Ivell.

2. Guilherme Tossulino - 7/março/2009

Esse tipo de coisa está cada vez mais comum. Ingenuidade dela e falta de preparo profissional podem ser a resposta.

Há poucos dias escrevi um post sobre o assunto (http://www.minhacarreira.com/2009/02/09/reputacao-on-line-quem-voce-e-na-internet/) e muito tem-se debatido e falado na internet e fora dela.

A verdade é que as empresas estão ligadas e quem quer estar na rede precisa estar preparado.


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